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Sistemas de amortização

SAC × Tabela Price: a matemática completa e quando cada um compensa

Não é "SAC é sempre melhor" nem "Price é mais barato". É decisão matemática baseada em quanto tempo você pretende ficar no contrato, no seu orçamento mensal e na sua expectativa de inflação. Aqui está tudo, com fórmulas.

Tempo de leitura: 14 min Atualizado em maio/2026 Por Pórtico Negócios Financeiros
Reunião analisando sistemas de amortização

SAC e Price em uma linha cada

SAC (Sistema de Amortização Constante): a parte amortizada é a mesma todo mês — você paga o principal em parcelas iguais. Como o juros incide sobre o saldo devedor (que cai linearmente), as parcelas começam altas e vão diminuindo.

Tabela Price (Sistema Francês): a parcela total é fixa do início ao fim. No começo, a maior parte da parcela é juros e pouco vai pra amortização. Com o tempo, a composição inverte. Mas a parcela em si nunca muda (em valor nominal).

Resumindo SAC: parcela decrescente, amortização constante. Price: parcela constante, amortização crescente. Os dois usam a mesma taxa de juros mensal. A diferença é apenas como o pagamento é estruturado no tempo.

As fórmulas (sem mistério)

SAC

Em cada mês k, a parcela P[k] é:

P[k] = A + (saldo[k-1] × i)

Onde A = principal ÷ número de meses (amortização fixa), saldo[k-1] = saldo devedor no mês anterior, i = taxa mensal de juros.

A primeira parcela é A + (principal × i); a última é A + (A × i).

Price

A parcela P é constante e dada pela fórmula PMT:

P = principal × i ÷ (1 − (1+i)^−n)

Onde n = número de meses. A cada mês, os juros são saldo × i e a amortização é P − juros.

Juros mensal Caixa

Atenção à convenção: a Caixa divulga a taxa em efetiva anual (ex.: 11,49% balcão), mas o contrato calcula os juros do mês pela taxa nominal anual ÷ 12. A nominal equivalente aos 11,49% efetivos é 10,9259% a.a.i = 0,9105% a.m.. O erro clássico das planilhas de internet é dividir a efetiva direto por 12 (0,958% a.m.), o que infla a parcela em ~4,5%.

Comparação numérica em R$ 400 mil / 30 anos / 11,49% a.a. efetiva

Equipe Pórtico analisando cenários SAC × Price em reunião
Na Pórtico, simulamos os dois sistemas lado a lado pra cada cliente — não existe resposta universal sem ver o seu caso.
IndicadorSACTabela PriceDiferença
1ª parcelaR$ 4.753R$ 3.787SAC R$ 966 a mais
Última parcelaR$ 1.121R$ 3.787Price 3,4× maior no fim
Total pago (parcelas)R$ 1.057.375R$ 1.363.289Price paga +R$ 306k
Total de jurosR$ 657.375R$ 963.289Price paga 47% mais juros
Saldo aos 5 anosR$ 333.333R$ 388.497SAC já amortizou +R$ 55k
Saldo aos 15 anosR$ 200.000R$ 334.548SAC já amortizou +R$ 135k

Valores de amortização + juros (taxa nominal 10,9259% ÷ 12, conforme contrato), sem seguros e tarifa, que são iguais nos dois sistemas no 1º mês.

Cuidado com o "Price é mais barato" Veja a primeira linha: a parcela do Price parece ser R$ 966 menor. Mas você paga essa parcela por 360 meses inteiros. No SAC, a parcela cai mês a mês — a partir do 97º mês (~8 anos) já é menor que a do Price, e continua caindo. Price não é mais barato; é diferido.
Calculadora interativa

SAC × Price com seus números

Cálculo lado a lado para qualquer valor e prazo, usando taxa SBPE balcão de 11,49% a.a. efetiva (nominal 10,9259% ÷ 12, como no contrato Caixa).

R$ 80 milR$ 2,25 mi
5 anos35 anos
SAC
1ª parcela
Última parcela
Juros totais
Tabela Price
Parcela (fixa)
Total pago
Juros totais

O ponto de breakeven: até quando Price compensa

Aqui está a pergunta que importa: "Em quanto tempo o saldo a quitar do Price fica maior que o do SAC?"

Esse é o ponto onde, se você decide quitar o contrato (vendendo o imóvel, refinanciando, amortizando integralmente), o SAC passa a custar menos.

Como calcular: para cada mês k, soma o que você já pagou em parcelas e adiciona o saldo devedor atual. Esse total é o Custo Total Acumulado (CTA). Em algum mês, CTA_Price > CTA_SAC pela primeira vez. Esse é o breakeven.

Para R$ 400 mil, 30 anos, 11,49% efetiva — juros pagos até a quitação

HorizonteJuros pagos (SAC)Juros pagos (Price)SAC economiza
Quitar em 3 anosR$ 124.737R$ 130.187R$ 5.450
Quitar em 5 anosR$ 200.612R$ 215.712R$ 15.100
Quitar em 10 anosR$ 364.804R$ 423.111R$ 58.308
Quitar em 20 anosR$ 583.929R$ 784.610R$ 200.682
Levar até o fim (30 anos)R$ 657.375R$ 963.289R$ 305.914

Em custo de juros, o SAC vence em qualquer horizonte — porque amortiza mais rápido desde o 1º mês. O que o Price oferece é fôlego de caixa: a parcela é R$ 966 menor no início, e o desembolso acumulado do Price só fica maior que o do SAC por volta do mês 193 (~16 anos). Se você investir a diferença das parcelas com bom rendimento (acima da taxa do contrato), o Price pode empatar ou vencer — essa análise de custo de oportunidade está no nosso simulador.

Resumindo: orçamento apertado ou horizonte curto com disciplina de investir a diferença → Price se defende. Para todo o resto, SAC é a aposta segura.

Quando faz sentido escolher SAC

  • Você pretende ficar 10+ anos no imóvel — quase certo que SAC paga menos no acumulado.
  • Cabe no orçamento a primeira parcela mais alta — porque vai cair depois.
  • Tem perspectiva de aumento de renda — o esforço cai junto com a parcela e a inflação corrói o que sobra.
  • Quer reduzir prazo com FGTS a cada 2 anos — em SAC, o efeito é mais expressivo.
  • Cliente conservador — preferir terminar o contrato antes (40-50% do prazo) é viável.

Quando faz sentido escolher Price

  • Pretende vender o imóvel em menos de 5-7 anos — investidor, primeira casa transitória.
  • Orçamento atual está muito apertado e ~R$ 970 a mais por mês é decisivo na aprovação (lembrando: no Price o limite de comprometimento cai para 25%).
  • Vai usar o imóvel pra alugar — parcela fixa é previsível e fica mais próxima do aluguel.
  • Cliente quer previsibilidade absoluta da parcela mensal.
Cuidado com a inflação Em Price, a parcela é fixa em valor nominal. Mas a inflação reduz o valor real desse pagamento ao longo do tempo. Em 30 anos com inflação média de 4% a.a., a parcela de R$ 4.000 hoje vale só R$ 1.230 em valor presente daqui a 30 anos. Esse é um dos motivos pelos quais o Price não é tão ruim quanto a tabela acima sugere.

Como a amortização antecipada muda esse jogo

Aportes de FGTS ou recursos próprios ao longo do contrato mudam significativamente o cenário. Você pode escolher entre duas estratégias na hora de amortizar:

Reduzir o prazo

O aporte vai pro saldo devedor; a parcela continua a mesma; o financiamento encerra mais cedo. Em ambos os sistemas, essa é a estratégia que mais economiza juros totais.

Reduzir a parcela

O aporte vai pro saldo, mas o cálculo da parcela é refeito pros meses restantes (PMT do Price ou amortização base do SAC). Você paga menos por mês, mas continua até o fim do prazo original.

Regra prática Aportes de R$ 20 mil a cada 2 anos em R$ 400k/30 anos, na estratégia "reduzir prazo": no SAC, o contrato encerra 12 anos antes e a economia é de ~R$ 263 mil em juros; no Price, encerra ~14,8 anos antes com economia de ~R$ 536 mil (os juros eram bem maiores). Números do nosso motor de cálculo, na taxa balcão vigente.

Quer ver o ponto exato em que SAC passa a compensar?

O simulador da Pórtico calcula o breakeven no seu cenário em tempo real.

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