Os 5 critérios da análise Caixa
A análise de crédito imobiliário Caixa é feita pelo sistema SIRIC (Sistema de Risco de Crédito), que combina informações do SCR/Banco Central, sua declaração de renda, comportamento bancário e regras específicas da modalidade. Cinco fatores principais determinam o resultado:
- Renda comprovada — a parcela mensal não pode passar de 30% da renda bruta familiar (25% em Tabela Price).
- Score Caixa — calculado internamente, combina seu histórico no SCR e sua relação com a Caixa.
- Idade × prazo — você + o prazo do contrato não podem somar mais de 80 anos e 6 meses.
- Comportamento financeiro — extratos bancários, faturas de cartão e fluxo de receita são analisados.
- Comprovação de estabilidade — tempo no emprego atual (CLT), regularidade da renda (autônomo), porte e regularidade da empresa (empresário).
A documentação obrigatória da análise
Esta é a lista oficial Pórtico — exatamente o que você precisa providenciar antes da Caixa começar a análise. Sem isso, a proposta não entra no SIOPI.
Documentos pessoais (todos os proponentes)
- RG e CPF ou CNH dentro da validade
- Comprovante de Estado Civil (certidão de casamento atualizada, escritura de união estável, ou certidão de nascimento se solteiro)
- Comprovante de Endereço atualizado (últimos 90 dias)
- Declaração de Imposto de Renda (último exercício, com recibo de entrega)
- Carteira de Trabalho — CTPS Digital (com todos os vínculos CLT visíveis)
- Data de admissão do emprego atual
- Nº PIS
- E-mail e telefone para contato
- Autorização devidamente preenchida e assinada para consulta de dados (LGPD)
Comprovação de renda — por situação
Esta é a parte que mais varia. A Caixa quer ver renda recorrente e comprovável, com origem documental. Cada situação trabalhista exige um conjunto diferente:
Assalariado (CLT)
- 03 últimos holerites consecutivos com nome legível, data, base de cálculo e contribuições INSS/FGTS visíveis; ou
- Imposto de Renda Pessoa Física completo (preferível se há renda variável significativa)
A Caixa pega a renda BRUTA dos holerites. Se sua renda variável (comissão, hora extra) é frequente, a média dos últimos 12 meses do IRPF pode ser melhor que os 3 holerites.
Autônomo
- Extrato Bancário ou Fatura de Cartão de Crédito dos últimos 03 meses — comprova fluxo de receita real
- Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do último ano
- Optional: DECORE (Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos) emitida por contador
Autônomos têm a parte mais difícil da comprovação. A Caixa pode aplicar redutor de até 30% sobre a renda declarada se não houver IRPF consistente nos últimos 2-3 anos.
Empresário / sócio
- Holerite de Pró-labore do último mês (do CPNJ da empresa)
- 3 últimos extratos bancários (da pessoa física)
- Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física com declaração de bens
- Optional: balanço da empresa (especialmente se a empresa distribui lucros)
O score Caixa — como funciona
O score Caixa não é o mesmo que o seu score no Serasa ou Boa Vista. É um cálculo interno (SIRIC) que combina:
- Histórico no SCR (Sistema de Informações de Crédito do Banco Central) — todas as suas operações de crédito ativas e quitadas nos últimos 60 meses
- Relacionamento com a Caixa — conta corrente, poupança, cartão Caixa, salário CEF, FGTS
- Pontualidade de pagamentos — atrasos, inadimplência, renegociações
- Cadastro positivo — quem permitiu o cadastro positivo tem pontuação adicional
- Endividamento atual — total de operações de crédito vs renda comprovada
Como melhorar o score Caixa antes de pedir financiamento
- Quitar dívidas pequenas (cartão, consignado) — reduz endividamento e melhora histórico
- Não abrir cartão de crédito novo nos 6 meses anteriores ao pedido
- Manter conta Caixa ativa (mesmo com saldo baixo) por pelo menos 6 meses
- Pagar IPTU/IPVA dentro do prazo — entra no histórico
- Receber salário pela Caixa (Bonificação 2 + score interno)
Os 7 motivos mais comuns de negativa
Quando a Caixa nega, o sistema gera um código de retorno. Estes são os 7 motivos que mais aparecem em propostas de Pórtico:
- Renda insuficiente — parcela > 30% da renda bruta familiar declarada
- Histórico de inadimplência no SCR — atrasos > 60 dias em qualquer operação nos últimos 24 meses
- Negativa de cadastro — registro ativo no Serasa, Boa Vista ou SPC
- Idade + prazo > 80a 6m — proponente mais velho ultrapassa o teto na soma com prazo
- Imóvel não atende exigências — matrícula com restrições, área irregular, problemas estruturais
- Documento inconsistente — divergência entre IRPF e holerites, ou entre nome no RG e na escritura
- Não enquadramento na modalidade — MCMV com renda fora da faixa, Pró-Cotista sem 3 anos de FGTS, SBPE acima do teto SFH
O que fazer se for negado
Negativa não é definitiva. Em 6 dos 7 casos acima existe caminho de reversão — composição de renda com cônjuge, troca de modalidade, regularização documental, espera de 6 meses do SCR limpar. A Pórtico identifica o motivo exato e mostra o passo a passo para reapresentar a proposta.
Quanto tempo a análise leva (em média)
| Etapa | Tempo médio | O que acontece |
|---|---|---|
| Pré-análise (Pórtico) | Até 24 horas | Verificação documental e simulação. Identifica problemas antes de a Caixa ver. |
| Inclusão no SIOPI | Mesmo dia | Proposta entra no sistema da Caixa com todos os códigos corretos. |
| Análise automatizada (SIRIC) | 2 a 5 dias úteis | Sistema cruza dados, consulta SCR, valida renda, aplica regras da modalidade. |
| Avaliação de imóvel | 5 a 10 dias úteis | Engenheiro Caixa visita o imóvel, faz laudo de avaliação e verifica matrícula. |
| Contrato e assinatura | 3 a 7 dias úteis | Geração do contrato, leitura pelas partes, assinatura digital ou em cartório. |
| Registro e liberação | 15 a 30 dias | Registro da alienação fiduciária no Cartório de Registro de Imóveis e liberação do valor ao vendedor. |
Total realista: 30 a 60 dias entre primeiro contato e chave na mão. Casos sem composição de renda nem imóvel em construção podem fechar em 35 dias.
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